Na gravidez, todo o corpo sofre alterações drásticas para sustentar a vida que está por vir, incluindo mudanças estruturais no cérebro. Um novo estudo da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara (UCSB), revela que grande parte da massa cinzenta do cérebro encolhe durante a gestação e deixa uma espécie de gravura permanente.
Essa descoberta é resultado de um grande mapeamento do cérebro de Liz Chrastil, neurocientista envolvida na própria investigação durante sua gestação. Detalhes foram publicados na National Library of Medicine.
A redução de massa cinzenta detectada na gravidez é semelhante ao que ocorre nos cérebros de adolescentes durante a puberdade. Nesse período, o cérebro poda o excesso de tecido para funcionar de maneira mais eficiente. Ou seja, a mudança reflete uma forma de aprimorar suas capacidades.
Dizer que uma parte do nosso cérebro encolheu pode parecer ruim, mas não é bem assim. Na verdade, assim como na puberdade, essa mudança significa que o cérebro está passando por um ajuste fino nos circuitos neurais e está se adaptando a um novo contexto. Sim, são as mudanças que podem ser permanentes, como gravuras em uma pedra, mas que não necessariamente trazem consequências negativas.
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O mapeamento do cérebro da neurocientista pode servir como base para estudos futuros sobre como complicações na gravidez, como a pré-eclâmpsia, afetam o cérebro das gestantes. Liz não apresentou nenhuma condição como essa, o que faz de seu mapa cerebral um bom exemplo para comparações.
A pré-eclâmpsia, por exemplo, afeta os vasos sanguíneos cerebrais e aumenta o risco de derrame e demência vascular. Ao comparar o cérebro de grávidas que desenvolveram essa ou outras condições com o mapa de Liz, pode ser possível entender as mudanças e como essas doenças influenciam o cérebro nesse período.
Embora o estudo tenha analisado apenas uma pessoa, as evidências são consistentes. Além disso, os cientistas já iniciaram um projeto chamado Maternal Brain Project, para coletar mais exames cerebrais de outras grávidas e conseguir um panorama mais amplo da descoberta.
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